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SUPERAÇÃO | 21/06/2019 às 16:00:00

Raízes da Seleção: distante da mãe, Fagner fez do futebol um refúgio contra a solidão

Lateral direito da Seleção teve de passar por um drama familiar durante a infância, mas encontrou no futebol a chance de vencer a solidão

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Durante a infância, Fagner se acostumou a ser sozinho. Criado na Zona Sul de São Paulo, foi pulando de bairro em bairro. Morou no Parque Santo Antônio, em Santo Amaro, no Capão Redondo, no Jardim Capelinha. Em todos eles, precisou superar um drama familiar que quase lhe custou um sonho. O lateral não tinha nem 10 anos de idade quando precisou lidar com a separação dos pais e a ausência repentina da mãe.

Mas Fagner encontrou um antídoto eficaz para a solidão: o futebol. Desde antes da separação de seus pais, já fazia parte das categorias de base do Corinthians. Enquanto se acostumava com a nova configuração de sua família, com uma nova vida, o jovem fez da bola um refúgio.

– Eu fiquei muito sozinho na minha infância. Meu maior refúgio era o futebol. Quando ia treinar, convivia com várias crianças. No resto do dia, ficava praticamente sozinho. Meu irmão estudava à tarde, meu pai trabalhava o dia inteiro. Quando eu morava na Zona Sul, muitas vezes pegava um ônibus, ia até o centro para encontrar meu pai no trabalho dele. Geralmente, eu chegava quando ele já estava terminando, mas era só para ocupar a cabeça, não ficar tão sozinho em casa – lembrou.

A separação foi um processo doloroso para Fagner. Enfrentando questões familiares e de saúde, sua mãe precisou se mudar para o interior de São Paulo. Aos 12 anos, o jovem teve de tomar uma decisão. Teve a opção de sair da capital com sua mãe ou ficar com o pai em São Paulo. Muito apegado ao pai e já motivado pelo sonho do futebol no Corinthians, preferiu ficar com o pai.

Seu Calixto, no entanto, sempre fez questão de ressaltar o quanto era importante que Fagner e seu irmão mantivessem o apreço pela mãe, Dona Marília. Mas muitas vezes o contato não era bem correspondido. Ao fim de todo domingo, eles iam ao telefone. Fagner e seu irmão esperavam o Fantástico acabar. A noite a ligação era mais barata, e eles discavam o número da mãe. Mas foram inúmeras tentativas sem nunca conseguir contato. Depois de um tempo, parou de ligar e cortou a relação com a mãe. 

– Às vezes, faz falta ter um carinho. Muitos dos meus amigos sabiam que eu ficava sozinho no período de férias, me chamavam para ir para a casa deles, para ficar um mês, 15 dias. Justamente para eu não ficar sozinho. E você vê a base familiar deles, o pai, a mãe todo mundo junto. E você por algum motivo não ter sua mãe do lado... Lógico que isso faz falta para toda criança – disse.

Apesar de tentativas de aproximação entre os dois, Fagner nunca conseguiu retomar a relação entre mãe e filho que tinha anteriormente. Há cerca de dois anos, o lateral recebeu a notícia do falecimento de Dona Marília. Mas quis o destino que Fagner encontrasse, no futebol e na vida pessoal, um equilíbrio para esta ausência. Do amor pela esposa Bárbara, ganhou uma nova família, que o faz se sentir completo.

– Deus é tão bom  e prepara tudo de forma tão legal que, mesmo sem ter minha mãe por boa parte da minha infância, ele colocou uma pessoa na minha vida. Minha esposa, minha sogra, que é como uma mãe para mim. Deus fez as coisas certinhas. Ganhei uma mãe, um segundo pai, que meu sogro me trata como filho.

Atualmente, Fagner brinca que ganhou uma mãe e um pai, tamanha é sua relação com seus sogros. No fundo, o lateral não esconde a gratidão pelo caminho que percorreu. Não mudaria um passo sequer. Sabe que tudo ajudou a formá-lo como o homem que atualmente é e vê, no futebol, uma forma de retribuir o orgulho que sente do esforço que Seu Calixto fez por ele e por seu irmão.

–Ele poderia ter largado eu e meu irmão e ido viver a vida dele, que é o que você vê normalmente. Sempre sobra para a mulher. Mas pelo contrário, ele ficou com os filhos, cuidou de nós, soube educar dois homens. Em muitos momentos, sei que abriu mão da felicidade dele, de uma namorada, de um lazer, para estar próximos de nós. Sei o quanto foi difícil para ele – declarou.

Mirando o espelho que teve dentro de casa, Fagner projeta o exemplo que pode ser para seus filhos, netos, e assim consequentemente. Afinal, lá na frente, quando lembrarem de Fagner, poderão dizer que ele jogou futebol, que defendeu a Seleção Brasileira e, acima disso tudo, foi um grande pai e um grande filho.

– Vestir a camisa de seu país, deixar seu nome na história,  um legado para os meus filhos... Para um dia eles olharem para trás e falarem para os filhos, para os netos, que o pai deles fez história, que foi um grande ser humano e um grande atleta. É isso que eu quero deixar, não só para os meus filhos, mas para tantas crianças que gostam de mim. As pessoas acham que as coisas não podem acontecer. Mas se você acreditar e fizer por onde, elas podem acontecer, sim – finalizou.

Assessoria CBF







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