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SELEÇÃO | 05/07/2019 às 07:10:00

Raízes da Seleção: Cássio, o gigante de Veranópolis

Goleiro espera por oportunidade na Seleção e usa experiência como prova de que é preciso, sempre, estar preparado

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

De chuteiras calçadas, Cássio desce para os campos da Granja Comary. Arruma as luvas, na etapa final de um processo que se repete todo dia nesta Copa América com a Seleção Brasileira. O treino começa e o que se vê é um goleiro de altíssimo nível. O gigante de 1,95 m pula de um lado para o outro, buscando bolas improváveis, sujando o uniforme como se fosse um jogo.

Desde sua primeira convocação para a Seleção Brasileira, em 2007, Cássio sonha com sua primeira partida, que ainda não veio. Mas isso não muda a mentalidade do arqueiro, que diariamente entrega tudo de si pelo time.

- Quantos não estão na Seleção? Desde que eu fui convocado, eu não me coloco nessa situação (de reserva). Porque estar aqui é para poucos. Poder disputar uma Copa América, uma Copa do Mundo, é uma coisa rara. Fazer parte da Seleção mais vencedora do mundo é muito gratificante. Se tivesse quatro goleiros e eu fosse o quarto, não teria problema. Mas chega na hora do treino, tenho que treinar como se fosse o titular. Isso é fazer o meu melhor pela Seleção - revelou Cássio.

É assim que funciona o motor de Cássio no dia a dia. A vida e o o futebol mostraram para ele que não há desculpa para não estar pronto. Foi assim desde o começo. Criado apenas por sua mãe, Dona Maria, viu o quanto a vida pode exigir de uma pessoa. Dentro de casa, acompanhou de perto a luta dela para sustentar os três filhos.

No futebol, Cássio também não teve moleza. Nascido em Veranópolis, no interior do Rio Grande do Sul, o goleiro bateu na trave algumas vezes antes de ter sua chance nas categorias de base do Grêmio. Na verdade, foi aprovado em testes para o Tubarão, de Santa Catarina, e para o Juventude, de Caxias do Sul, mas não conseguiu ficar em nenhum deles. 

A primeira oportunidade chegou aos 13 anos, na base do Grêmio. Muito mais alto que os garotos de sua geração, o goleiro começou a treinar com jogadores de uma categoria acima, no infantil (15 e 16 anos). Foi nesta equipe que Cássio viveu um dos dias mais tristes de sua vida no futebol. Em vez de se desmotivar, no entanto, usou aquele sentimento como combustível para se provar diante do mundo da bola.

- Choveu muito e fomos treinar na grama sintética. Eu tinha acabado de chegar. Lembro que quando eu fui para o gol uns meninos falaram: "Vamos para o outro lado que esse goleiro é muito ruim". E o goleiro era eu. Só que eu só tinha 13 anos. Treinei bem. Quando cheguei na casa dos meus familiares, fui tomar banho e chorei muito. Ali, pensei: nunca mais ninguém vai falar isso para mim. Não foi por raiva. Aquilo só me deu mais força para ir em busca do meu sonho. Minha vontade de vencer sempre foi maior do que as coisas negativas - recordou.

Revelado pelo Grêmio, Cássio se aventurou no futebol europeu antes de encontrar no Corinthians sua verdadeira casa. Contratado no início de 2012 pelo Alvinegro, fez parte do time mais vitorioso da história do clube, onde está até hoje.

Mas antes de se firmar no clube paulista, Cássio precisou amargar um bom tempo no banco de reservas. Foi a partir das oitavas de final da Libertadores da América que o técnico Tite o acionou. Alçado ao time titular, mesmo sem jogar há meses, o goleiro estava pronto para o desafio e foi um dos principais responsáveis pelo título.

Na Seleção, ele tem a companhia de dois excelentes goleiros, mas sabe que a chance de atuar pode chegar a qualquer momento. Graças a esse trabalho diário, Cássio se diz pronto. E mostra, com o próprio suor, que isso não é da boca para fora:

- A gente tem que estar sempre preparado. Aconteceu isso no Corinthians. Eu me preparei e quando apareceu a chance, eu estava pronto. Temos que estar preparados para todas as situações. O que faz isso é o treino. Por isso temos que treinar em alto nível, para quando a chance chegar fazer o melhor. É um ambiente muito legal. Estamos trabalhando com o cara que foi campeão da Champions (Alisson), o Taffarel é campeão mundial, o Ederson é bicampeão da Premier League. São dois grandes goleiros e é um privilégio muito grande estar com eles.

Site CBF







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